Havia um plano infalível, com cronogramas, horários e etapas.
Vivia em função do Plano, ignorando risadas, mãos amigas ou carinhos. O Plano só servia para uma pessoa.
Enquanto executava o Plano, veio um tom de verde desconhecido, único, o que exigia um exame mais detalhado. Logo no primeiro dia, o verde apresentou um timbre diferente, um som bonito e que não conhecia.
O Plano ainda seguia, mas precisava ver e ouvir aquele verde, de pertinho. Não era o "correto", mas precisava ser feito. A primeira coisa que o tom de verde mostrou, aproximando-se, foi sua profundidade, o turbilhão de águas novas, trazendo ideias, sorrisos e fazendo prender a respiração.
O Plano então começou a ser analisado, faltava algo importante nele: alegria. Como ser alegre se não passar uma madrugada ou outra sem dormir, brincando com o timbre suave que descobrira, passando a ponta dos dedos por superfícies desenhadas e coloridas?
Mas o verde não podia ficar, tinha um outro rosto para visitar. Um dia, estando os dois juntos, o rosto dançando belamente e o verde brilhando mais longe, o Plano ressoou novamente como o caminho mais seguro e sensato. Mas já não era alegre.
O verde piscou ainda algumas vezes, mas, talvez por um delírio, resolveu fazer companhia, abraçando de uma forma nova. Assim, mostrou que, abraçado, aquele turbilhão que dançava no verde poderia tanto acalmar quanto intensificar-se.
O Plano foi desconstruído, porque já não comportava a realidade. A realidade deve ter sorrisos, turbilhões e, se tiver sorte, verde.
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